EGITO COM AMOR (LITERALMENTE!)

EGITO COM AMOR Viagens Internacionais Dani Tranchesi

Sempre sonhei em conhecer o Egito, mas sabia que Bernardino, meu marido, não iria se animar, até que começamos a mergulhar.

Usei a estratégia da cenoura na frente do cavalo, ou seja, disse que conheceríamos o Egito e no final, para fechar com chave de ouro, mergulharíamos em Sharm el Sheikh, um local paradisíaco no mar vermelho, famoso pelos corais preservadíssimos.

Lá fomos nós em direção a Cairo. Assim que chegamos, perguntei para uma pessoa se a cidade era perigosa. “O maior perigo da cidade é atravessar as ruas”, afirmou. Achei engraçado e não dei muita bola para o aviso.

Saímos para conhecer as pirâmides e todo o resto. Achei incrível essa volta ao passado, apesar da imensa tristeza em ver o total estado de abandono do Museu do Cairo, tomado por camadas de poeira e descuido. Estávamos lá antes da Primavera Árabe e achei tudo bem estranho! Tinha polícia por todos os lados, gente armada e uniformizada, mas não faziam nada. Sempre pergunto sobre a vida das pessoas e sobre o governo dos países que visito e dessa vez achei bizarro as pessoas dizerem que o presidente estava lá há cerca de 30 anos e o próximo a entrar seria o filho dele. Mal sabia eu que o mundo por ali mudaria para sempre dentro de alguns meses. E que sorte tivemos em ir antes que a casa caísse!

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A recomendação sobre o cuidado ao atravessar a rua mostrou-se pertinente quando saímos do hotel, a beira do rio Nilo, para fazer um pequeno passeios no calçadão, do outro lado da avenida. Foi um sofrimento para atravessar, já que ficamos 30 minutos para ir e muito outros para voltar. Os carros não param para ninguém e o sinal vermelho não serve de nada, já que todos ignoram sua existência.

Dias depois pegamos um avião para Abu Simbel, um lugar ao sul, perto da fronteira com o Sudão e onde existe um complexo arqueológico importantíssimo, além de dois grandes templos encravados na rocha que, originalmente, foram criados noutro lugar mas, devido a construção de uma barragem, tiveram de ser transportados com a ajuda da Unesco, na década de 60.

Ficamos cerca de três horas por lá, impressionados com a grandiosidade dos templos, com a capacidade de mudar aquilo tudo de lugar e com o calor avassalador que estávamos sentindo.

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De lá, voamos para Aswan, ponto de partida para nosso cruzeiro pelo Nilo. Me senti a própria Agatha Christie, mas ainda bem que o passeio foi só alegria! O barco tinha 30 cabines e foi um dos muito que sempre fazem a rota de Aswan para Luxor, ou ao contrário. As paradas são sempre nos mesmos lugares e o desafio era escapar o máximo possível dos milhares de turistas (num certo momento, até desisti de tentar fotografar os lugares sem um mar de pessoas). Nosso guia era um sujeito simpático que falava português perfeitamente, já que era casado com uma brasileira. Ele seguia por terra e nos encontrava no cais em cada parada do barco, e nos contou de uma forma leve um pouco daqueles muitos anos de história.

Quatro dias se passaram nas águas do Nilo e finalmente chegamos a Luxor, lugar do Vale dos Reis, onde estão as tumbas mais importantes, como a do  Tutancâmon. Andei sozinha com o guia por lá, já que o Bernardino sucumbiu a alguma bactéria egípcia que o deixou derrubado na nossa cabine.

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Depois de um mergulho na história antiga da humanidade, chegamos a Sharm el Sheikh, lugar que é realmente como haviam nos falado: mar lindo, com corais coloridos, algumas criaturas marinhas estranhas e pequenas, e um grande navio da segunda guerra afundado onde mergulhamos. Uma aventura deliciosa! Fico pensando como estará esse país incrível hoje, depois de tanta guerra e tanta mudança.

Espero que ainda seja possível receber turistas, já que essa era a maior fonte de renda deles antes da Primavera Árabe.

 

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