O DIA DAS FRONTEIRAS

Entramos no Irã. A fronteira foi bem tranquila: paramos o trem na fronteira Turca, entregamos o passaporte, eles carimbaram, demoraram mais ou menos 1 hora e seguimos adiante.

Obviamente, já estávamos prontíssimas para o Irã, de roupas largas e compridas e lenços na cabeça. Uma profusão de modelos e cores. Nós brasileiras transformamos essa parte num assunto, todas procuraram exaustivamente os melhores modelos dentro do vestuário correto para esse misterioso país. Vimos na fronteira que as alemãs não pensaram muito, colocaram uma camisa por cima da camiseta, um lenço descuidado e só. O cuidado com o visual já confirma a famosa alegria brasileira.

trem irã

Na fronteira Iraniana, descemos todas para carimbar o passaporte junto ao visto que tiramos no Brasil e depois ficamos esperando sentadinhas na estação enquanto a polícia revistava nosso trem – acho que procurando bebidas.

Duas horas depois tivemos permissão para sair e lá fomos nós para um almoço tardio no vagão turco. E acreditam que a comida estava melhor?

Alá ouviu nossas preces e hoje, além da salada e da sopa, tivemos um purê de batatas e uma carne de panela bem boa.

À tarde nos reunimos no vagão-restaurante para mais um encontro sobre o qual ainda não falei. Temos conosco um professor de literatura especializado nas histórias dessas terras, então, uma vez por dia ele nos dá uma aula. Já falamos sobre a literatura Turca, a vida de Abraão, sobre a Pérsia e agora estamos aprendendo um pouco sobre o livro “As mil e uma noites”, um dos dez mais importantes livros da literatura universal, compilação de histórias passadas nessas terras lá pelo século 9. São contos que revelam a modernidade desse povo e de novo, me mostram que a essência do ser humano muda muito pouco ao longo dos tempos e dos países. A vida de Sherazade, protagonista, é a pura representação de como deveriam ser os escritores: “Morrerei se não contar histórias”.

Chegamos a Tabriz no fim da tarde e fomos recepcionados por muitos curiosos, além da TV Iraniana querendo saber o que fazíamos ali. Foi um verdadeiro acontecimento! A chegada de um trem, meio Russo, meio Turco, operado por alemães e lotado de brasileiras, deu o que falar.

Depois de todas essas aventuras, jantamos no hotel e cama.

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