PICADA PELA CIDADE

Depois que nos mudamos para São Paulo e passado o trauma, ou melhor seria dizer “bullying” da chegada, eu fui aos poucos me adaptando e me encantando com a cidade grande.

Salva pela redação,  passei no exame do Santa Cruz – para surpresa dos meus pais – e a mentalidade simples e humilde da menina do interior de Santa Catarina foi cedendo lugar a uma curiosidade absurda. Na fita cassete tocava Secos & Molhados, Beto Guedes, Lô Borges, ao mesmo tempo que alimentava o sonho de ser roqueira como os meninos do colégio. A roupa era de hippie total – a velha saia longa indiana com a sapatilha chinesa que eu comprava na Augusta (quem é da minha geração sabe da febre das sapatilhas). Ou seja, era um mix de MPB com rock, referências “woodstockianas” e o que mais aparecesse de muito interessante. Com tantas novidades e informações, o mais difícil foi me concentrar nos estudos.

O sonho de bailarina havia ficado para trás, junto com a fita do Flash Dance. Eu tinha crescido e a cidade já tinha me “picado”. A essa altura eu já era capaz de absorver a preciosa influência do meu irmão Lauro, 12 anos mais velho, formado em arquitetura pela USP, uma pessoa sensível, com senso estético apuradíssimo, ávido por viagens e marcas descoladas.

Era 1985 e ele já comprava roupas na Missoni – foi ele aliás quem me ensinou que mais vale uma peça cara de boa qualidade no armário do que várias peças baratas e perecíveis (na época não falávamos em fast fashion).  Lembro que um dia ele me ligou de uma de suas viagens dizendo que ia me trazer o “must have” da época na Europa, auge do fashionismo e artigo inédito no Brasil: um relógio Swatch Vermelho de pulso.  Obrigada Lauro!

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