PRAZER, MEU NOME É SAUDADES

Quando eu tinha 17 anos o Lauro, meu irmão, adoeceu.

Ele teve AIDS (isso foi antes do Cazuza ainda). Meu pai, gaúcho firme, homem com poucas palavras mas atitudes focadas no problema, levou Lauro para EUA e França na esperança de encontrar a cura para a tal doença. Naquela época não existia AZT aqui, a não ser em caráter muito experimental.

Lauro e Dani

Lembro que ele voltou a morar conosco e eu ouvia os gemidos vindos do quarto ao lado. Morávamos em Alto de Pinheiros. Um dia quando voltava para casa com um amigo do colégio (ainda bem que as duas caipirinhas tinham me anestesiado um pouco) olhei para meu pai e pelo seu rosto eu tinha captado na hora a mensagem de que Lauro havia morrido. Foi meu primeiro encontro com a dor da perda. Ali aprendi o que era saudades.

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1 comentário
  1. Percebo que temos coisas em comum Dani. Meu marido também é médico e também minha maior conquista. 37 anos de casados.
    Com relação ao seu seu texto, que fala de seu irmão doente, quando voce cita o ruido da dor que vinha do quarto ao lado, volto no tempo e vivencio a mesma coisa, o mesmo horror, que passei com meu irmão portador de hanseniase em alto grau que também veio morar conosco, e padecia do mesmo mal.
    Até hoje não consigo afastar esse ruido tão doloroso que durou 13 anos, e que fere minha alma, como se estivesse ocorrendo agora.

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