UM CARNEIRO NO TÚNEL DO TEMPO

Exercício bom de fazer é voltar o máximo que der a fita da memória. Eu consigo chegar aos meus 3 anos de idade, quando ganhei um dos presentes mais marcantes da minha infância: um carneiro.

Morávamos em Concórdia, interior de Santa Catarina, eu era caçula de cinco irmãos (alguns deles nessa época já moravam em São Paulo para fazer faculdade). E eis que um moço que conhecia meu pai, o tal de Odilon, apareceu com essa fofura que parecia um pacote de nuvem e precisava de música para parar de chorar no carro (ao menos era o que ele dizia). Branquinho foi o nome  que escolhi, e nosso amor durou cerca de dois anos, até culminar com outro episódio também inesquecível para mim: a despedida.

Quando nos mudamos para São Paulo, alguns anos mais tarde, minha avó e meus pais obviamente não acharam conveniente trazer um carneiro para morar em plena Av. Faria Lima. Desde nossa partida nunca mais vi Branquinho, e quando pedia notícias dele os adultos tentavam me tranquilizar dizendo que o “pessoal do Sul” estava cuidando bem do bichinho. O que foi feito de Branquinho eu realmente não sei, mas sei que sigo pensando nele nas noites de insônia: um Branquinho, dois Branquinhos, três Branquinhos…

 

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